quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Cachorro-vinagre dá as caras em Minas depois de 170 anos

Ernesto Braga - Do Hoje em Dia

Descoberto em Minas Gerais por Peter Lund, em 1842, o cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus) foi considerado em extinção no Estado. Após os relatos do naturalista dinamarquês, especialistas jamais obtiveram comprovação científica da existência do animal em território mineiro. No Brasil, os indícios também são raros.
Mas a prova de que o cachorro-vinagre, como a espécie também é chamada, ainda habita as matas preservadas de Minas foi conquistada por biólogos do Instituto Biotrópicos, parceiro do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Em 29 de setembro, eles capturaram a imagem de um exemplar do raro animal no Parque Estadual Veredas do Peruaçu, em Januária, no Norte do Estado.
Prova
O vídeo de apenas 1,5 segundo coroa sete anos de pesquisa. Câmeras com sensor de movimento estão espalhadas por mais de 50 pontos dos 30 mil hectares do parque desde 2005. “Havia apenas relatos de pessoas que teriam visto o animal e pegadas atribuídas a ele. Depois do Lund, que fez a descoberta na região de Sete Lagoas (Central), quase não havia informações sobre o cachorro-vinagre. Não acreditei quando, finalmente, conseguimos a confirmação pela imagem”, comemora o biólogo Guilherme Braga Ferreira.
Habitat

Especialista em ecologia e conservação, ele é o coordenador do Projeto de Monitoramento de Mamíferos do Biotrópicos no Norte de Minas. Segundo o biólogo, há indícios da existência do animal apenas nesta região do Estado. “Ele está ameaçado de extinção em todo o país. Há informações mais relevantes sobre o bicho só no Mato Grosso”.
Da família do cão doméstico e do lobo-guará, o cachorro-vinagre vive em bandos. É um canídeo (carnívoro) de pequeno porte, com o adulto pesando cerca de cinco quilos. “Ele tem rabo e patas curtas e não lembra nenhum outro animal da mesma família. É chamado de vinagre por causa da pelagem”, explica Guilherme.
O cachorro-vinagre se alimenta de pacas, tatus e outros animais. “O desmatamento, a caça e o contato com o cão doméstico são os responsáveis pelo desaparecimento e risco de extinção”.

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