Lojistas se mobilizam para retirar moradores de rua da área central de BH; número de facas apreendidas subiu 194%
CARLOS ROBERTO

Comerciantes têm reclamado da sujeira deixada nas portas das lojas
O número de facas apreendidas neste ano pela Polícia Militar dentro dos limites da Avenida do Contorno aumentou 194% de janeiro a abril deste ano em relação a igual período do ano passado. Levantamento feito pelo 1º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento da região, neste ano foram 297 apreensões, contra 101 no ano passado. Segundo a Polícia Militar, 95% deste tipo de arma estavam com moradores de rua.
Na tentativa de reduzir o número de mendigos na área central da capital, comerciantes estão se mobilizando para ajudar na construção de um albergue em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A iniciativa é da Associação dos Empresários do Centro e do Barro Preto. “Ainda não temos o número de vagas que serão abertas, mas a intenção é encaminhar todos os que desejarem deixar as ruas”, afirmou o o presidente da entidade, Jonísio Lustosa.
A Prefeitura de Belo Horizonte calcula em 1.200 o número de moradores de rua na capital. São 550 vagas em três albergues, número insuficiente na opinião de Jonísio Lustosa. “Muitos não querem deixar a rua, mas é preciso fazer um trabalho social. Se o espaço for bom, e oferecer privacidade para a pessoa, a maioria vai querer deixar esta vida”, disse.
Conforme o Hoje Em Dia antecipou na edição de sexta-feira (20), comerciantes do Centro e do Barro Preto estão instalando grades nas portas de seus estabelecimentos para evitar a presença de mendigos. Além disso, lojistas de um prédio localizado na Rua Mato Grosso, esquina de Rua Tamoios, onde dormem cerca de 60 moradores de rua, estão ameaçando instalar canos debaixo das marquises com água vazando nos passeios.
“Estas medidas são de comerciantes que estão desesperados com a sujeira deixada todas as manhãs. Muitos só conseguem limpar a urina e fezes por volta das 11 horas”, desabafou.
O comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Márcio Cassavari afirma que vem aumentando o número de assaltos praticados pelos morador de rua. “A maioria usa facas ou gargalos de cacos de vidro para cometer pequenos assaltos”, afirmou. Ainda segundo o comerciante, a maioria destas ocorrências é registrada no Barro Preto e na Floresta, onde funciona um Centro de Apoio ao Morador de Rua e um albergue.
A professora Ana Lúcia Aguiar, 42 anos, foi assaltada na semana passada quando passava pela Avenida do Contorno, no Barro Preto. “Um homem armado de faca se aproximou e me pediu um dinheiro para jantar. Quando eu disse que não tinha, ele me obrigou a entregar a bolsa”, recordou a professora.
Jonísio Lustosa informou que vai acionar a Prefeitura de Belo Horizonte para discutir uma solução para o problema. Segundo o presidente da associação, os moradores de rua que são abordados pelos comerciantes alegam que estão vindo para Belo Horizonte na esperança de ganhar uma casa própria.
Uma das propostas defendidas pelo comando do 1º Batalhão é a construção de albergues em Venda Nova e no Barreiro, o que evitaria a concentração destas pessoas na área central.
A Prefeitura de Belo Horizonte informou que ainda neste ano pretende construir uma república com pelo menos 80 vagas. Será a terceira em Belo Horizonte.
Ainda segundo a prefeitura, as pessoas que têm interesse de deixar as ruas são encaminhadas para os três abrigos ou repúblicas, mas muitos se recusam. Ma maioria das vezes, alegam que nestes espaços não podem beber ou fumar e são obrigadas a tomar banho diariamente.
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