quinta-feira, 31 de maio de 2012

Polícia intensifica buscas por corpo de menina morta pelo pai em Governador Valadares, Leste do Estado

O inquérito sobre o assassinato de mãe e filha deve ser concluído na quinta. Três suspeitos foram presos e dois confessaram o crime


LEONARDO MORAIS
buscs pelo corpo de nivia leite
Cães estão sendo usados, mas suspeito pode ter jogado cal sobre o corpo, o que dificulta o trabalho


GOVERNADOR VALADARES – A Polícia Civil de Governador Valadares, Leste do Estado, conclui na quinta-feira (31) o inquérito que investiga o assassinato da cabeleireira Renata Aparecida Leite, de 25 anos, e da filha dela, Nivia Victória Leite, de dois anos. O suposto pai da criança, o agente penitenciário Breno Soares de Oliveira, de 31 anos, e dois comparsas serão indiciados por duplo homicídio qualificado. O agente responderá também pela ocultação do cadáver da menina. Uma varredura foi feita nesta quarta-feira (30) na área onde ele teria desovado o corpo da criança, mas não foi encontrado.

O local das buscas é de mata fechada, às margens da estrada de acesso ao Distrito de Nova Floresta, "Paca". Elas foram feitas com o apoio do Corpo de Bombeiros, que trouxe de Belo Horizonte uma cadela da raça labradora, Ebony, de cinco anos. Os policiais encontraram uma calça de tecido azul marinho, que estava dobrada até os joelhos e uma camisa de malha com propaganda de uma cavalgada realizada em 2010. O material foi recolhido para perícia por causa da suspeita de estar com marcas de sangue. As buscas foram encerradas depois de cinco horas de procura.

Segundo o delegado Clériston Lopes de Amorim, a polícia trabalha com a informação de que Breno jogou cal sobre o corpo e isso dificultará a localização da ossada. Outro agravante seria a remoção de grande quantidade de terra nas imediações, por causa da obra de asfaltamento da estrada e de uma enchente. Para o delegado, a localização do corpo é uma questão de humanidade, já que dará à família a possibilidade de enterrá-lo com dignidade, mas sua ausência não prejudicará o indiciamento dos três acusados pelo duplo homicídio e ocultação do cadáver.

“Nossa legislação traz duas situações. Uma é a formação da prova por meio da materialidade direta (corpo) e a outra é a indireta que permite a utilização de outros elementos de prova, como a testemunhal”, explica. Renata e a filha foram assassinadas na noite de 30 de janeiro deste ano. O corpo da cabeleireira foi encontrado na manhã seguinte, em local ermo do Distrito Industrial, com marcas de tiros e facadas. Desde então a polícia e a família procuravam pela criança e acreditavam que pudesse estar viva. A esperança acabou na semana passada com a descoberta da trama, um crime premeditado e cruel, e a prisão dos acusados.

Segundo a polícia, Breno, que é casado e pai de dois filhos, estava sendo chantageado por Renata, que ameaçava contar para a mulher dele sobre o relacionamento extraconjugal. Ela queria que ele reconhecesse a filha e pagasse pensão. Durante as investigações que contaram com quebra de sigilo telefônico, a polícia chegou primeiro a Luciano Félix Rodrigues, de 23 anos, que teria confessado participação no crime, indicado o local da desova da menina e delatado Breno e um amigo deles, Henrique Gerônimo Alves, de 27 anos.

Segundo o delegado, o agente tem se mantido em silêncio, mas os dois comparsas foram ouvidos separadamente e contaram a mesma história, que coincide com o laudo de necropsia. Segundo revelaram, depois de convencer Renata a encontrá-lo, Breno levou primeiro os comparsas para o local do crime. Como estava escuro, Renata não quis sair do carro e os dois homens simularam um assalto. Luciano teria atirado na cabeça da cabeleireira, que correu para o lado de Breno, que deu uma rasteira nela. Caída, a mulher recebeu várias facadas desferidas por Henrique. De acordo com o depoimento deles, Breno teria terminado o serviço, dando outras facadas nela.

Os dois contaram também que a menina chamava Breno de pai e parecia não ter visto nada porque não estava assustada. Eles seguiram com ela para a estrada de acesso ao distrito. “Na versão de Luciano, Breno levou a menina para trás do carro, se abaixou, deu um beijo na testa dela e a estrangulou. Henrique chegou logo depois e a esfaqueou várias vezes. Já na versão de Henrique, Breno estrangulou a menina e jogou o corpo no mato”, conta o delegado Amorim. Como o corpo de Renata foi encontrado na manhã seguinte, Breno teria voltado ao local onde jogou o corpo da filha e dado um “sumiço” nele. Os três homens estão presos e se condenados podem pegar até 30 anos de prisão.


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